Cine & Cultura

LVIRO: REFLEXÕES SOBRE “A TENDA VEMELHA”

Gritos de liberdade, reivindicações, pedidos de socorro, conflitos de idéias. Tudo isso de uma vez só, um turbilhão de vozes femininas que ecoam cada dia mais alto e mais forte com a estreia das redes sociais no ano 22 do novo século.

Orgulhemo-nos mulheres, somos as pioneiras do feminismo virtual.

Pois bem, junto a tamanho barulho vem uma enorme responsabilidade e necessidade de um mínimo de sintonia, mesmo que dancemos músicas diferentes. O que vale é o movimento. E para enriquecer nossos discursos e práticas, nada como uma boa leitura sobre o universo feminino que nos conta as trilhas de nossos antepassados “mulheres”.  Como viviam, que lutas enfrentavam sonhos, medos… Pois bem, já pararam para pensar sobre o livro mais lindo do mundo?… tic, tac… Sim minhas queridas, a tão ostentosa bíblia foi escrita por mãos masculinas. Escrita e pensada! Sem aprofundarmos as questões religiosas, o feminismo em si e tudo que envolve o cristianismo num país latino, chamo-lhes atenção para essa minúscula reflexão e eventual questionamento. Dadas as respostas, cada uma consigo mesma, sugiro-lhes o livro A Tenda Vermelha escrito por Anita Diamant, cuja protagonista é Dinah, filha de Jacó.

A Tenda Vermelha.- NETFLIX

Mulheres, é como se esse breve trecho do livro tradicional que conhecemos tivesse sendo contado por uma mulher. Dinah detalha histórias sobre suas quatro “mães”, Raquel, Lia, Zilpah e Bilah, esposas de Jacó – Ahh, a poligamia unilateral e machista – que as inspiraram com suas sabedorias e silêncios típicos das mulheres da antiguidade. As histórias são espalhadas de sensualidade, intuição e fortes emoções no mundo de caravanas, escravos, artesãos, príncipes, milagres e segredos femininos, até o momento em que Dinah mergulha em sua própria saga de paixão, traições e sofrimento.

A Tenda Vermelha.- NETFLIX

O ritual à terra em que se submetem as mulheres da saga quando menstruam é carregado de significado e quem leu o livro “Mulheres que correm com os lobos” de Clarissa Pinkola Estés sabe o poder que os pés despidos sob a terra exercem sobre nós.

Enfim, considero a Tenda Vermelha um dos livros que a mulher moderna precisa ler para nossas meninas futuras prosperaram mais e mais.

É entendendo o passado que se constrói o futuro!

Beijos

Colunista:

Glauce Leite

Glauce Leite é escritora joseense graduada em Letras e pós-graduada em Gramática.  Professora de Língua Portuguesa, feminista e envolvida com a arte da dança do ventre e suas vertentes. Seus temas são a realidade social e a mulher moderna com seus dramas e alegrias. Publicou seu primeiro livro de crônicas em 2013 e desde então participa de antologias literárias.

@glauce.carvalho.leite

 

 

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