É comum, quando nos referimos a design de interiores, focarmos na vertente estética do assunto.

De imediato vem-nos à mente cores bonitas, estilos que amamos e tendências para o ano.

Porém essa é apenas uma das abordagens, quando diante de projetos de design de interiores.  Acredite ou não, as escolhas das cores que fazemos são guiadas pelo nosso subconsciente.

Elas resultam das associações que esse nível da mente faz entre as cores e os efeitos que elas produzem em cada um de nós.

Estudos comprovam que os efeitos psicológicos das cores em nossas vidas são muito mais relevantes do que experimentamos no dia a dia.

Uma vez que tudo que compõe uma decoração tem uma cor, em muitos países, os efeitos psicológicos passaram à frente da questão estética nas decisões arquitetônicas.

A escolha da cores afeta nosso humor? Sim e muito!

Todos sabemos que as cores tem um papel fundamental em como experimentamos o mundo ao nosso redor, certo?

Mas será que conhecemos os efeitos que elas causam nas nossas emoções?

Se você está diante da tarefa de criar a decoração da sua casa/ ambiente de trabalho, no que diz respeito às cores, recomendo que:

Estude o tempo que precisar. Peça ajuda para montar as paletas cromáticas e troque ideias com outras pessoas que frequentam o espaço. Não inicie sem antes escolher as cores e tonalidades que estarão presentes nos ambientes, do início ao fim.

Conheça primeiro o significado e os efeitos de cada cor.  Prepare sua paleta de cores e ai sim…mãos a obra!

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Onde devo usar cada cor na minha casa?

A psicologia das cores tem origem no princípio do século XIX quando Johann Wolfgang Goethe publicou seu livro Teoria das Cores.

Embora haja alguma discordância sobre o significado de determinadas cores, pesquisadores, designers e publicitários concordam com os significados a seguir:

-VERMELHO: No estudo psicológico das cores o vermelho é a cor mais provocante do espectro. Simboliza coragem, força, confiança e paixão. Mas também representa raiva e stress.

Em decoração pode ser usado para tornar um ambiente mais aconchegante criando a sensação de intimidade. Quando o vermelho é usado na sala de jantar ele ajuda a iniciar uma conversa.

-COR DE LARANJA: É a junção das cores amarelo e vermelho. Trás um raio de energia, aventura e inovação. Pode ser usado como uma cor de destaque em ambientes predominantemente neutros. Mas se não quiser ter o apetite estimulado, cuidado. A cor de laranja deve ser evitada na sala de jantar e na cozinha.

-AMARELO- É a cor associada à alegria e criatividade. Funciona bem quando faz par com uma cor neutra como a cinza, sempre em cômodos cheios de luz natural. O amarelo é uma excelente escolha para quarto de estudos. Porém é uma péssima ideia para quartos de bebê por ser estimulante demais. Os cientistas dizem que faz o recém nascido chorar mais.

-VERDE: Em psicologia das cores verde é a cor mais calmante para se olhar. É conhecido como relaxante  e é  símbolo de frescor. Tonalidades pastéis  de verde ficam ótimas em hall de entrada e recepções porque suavizam a transição do exterior para o interior. O verde também é bem vindo no ambiente de trabalho, pois simboliza prosperidade . Ele está relacionado a menores casos de gastrite e estresse.

AZUL: Assim como o verde, o azul representa tranquilidade, e em certas tonalidades, frescor. Por essas características fica bem quando usado em corredores, cozinhas e banheiros. O azul também é bem vindo nos ambientes de trabalho pois ele encoraja a criatividade e a produtividade. Ele ajuda a controlar a pressão sanguínea e acalmar a respiração.

-ROXO: Resultado da junção de azul e vermelho, o roxo tem propriedades calmantes e excitantes ao mesmo tempo. Representa desde os tempos mais remotos, o luxo e a realeza. Lilás, violeta, púrpura são ótimas tonalidades para serem usadas em salas e dormitórios de casal. Elas trazem um ar de sofisticação e mistério. O uso de do tom lilás nos dormitórios conduz a paz e serenidade.

CINZA: O cinza não é uma cor, mas sim uma tonalidade intermediária entre o preto e o branco. Ele  tem se provado o curinga do design e interiores. Combinado com cores vivas como laranja, pink, vermelho, o cinza entra em qualquer ambiente da casa. E quando usado sozinho, fica bem em banheiros e home office.

MARROM: Como designer nunca dispenso o uso de uma peça (móvel ou objeto de decoração) marrom em meus projetos. O marrom “ancora” a decoração. Conhecido como a cor das raízes, é acolhedor e dá segurança. Pode ser usado nas salas onde as famílias e amigos se reúnem, pois ele favorece a conversação.

PRETO: O preto também é uma tonalidade e não uma cor. Ele é associado à  poder, autoridade, mistério e sedução.Em decoração o  preto deve ser usado nas peças para as quais queremos chamar mais atenção.Ele acrescenta profundidade às demais cores.No entanto também é associado à morte e ao pessimismo.

 

BRANCO: O branco tecnicamente não é uma cor, mas sim uma tonalidade. Ele nos remete a  pureza,a neutralidade e passa a sensação de limpeza. Quando acrescentamos branco a  outra core o resultado é um tom pastel, fácil de usar em decoração. O branco puro deve ser usado em conjunto com cores quentes para evitar o look estéril. O branco é imbatível quando o desejo é aumentar a sensação de espaço.

 

Essas são as linhas gerais de cada cor. Costumo dizer que “na sua decoração, manda você”!

Por isso ninguém melhor do que você para conferir se os significados acima estão de acordo com a sua cultura e suas experiências.

Assim como as cores que escolhemos para nossa casa os objetos decorativos que nos circundam também expressam nossa personalidade e desejos subconscientes.

No livro “O Sistema dos Objetos” o filósofo Jean Baudrillard explica a simbologia daquilo que optamos por colocar em nossos cômodos e como essas escolhas se relacionam com nosso verdadeiro ser.

O autor destaca a importância de haver seriedade e autoconhecimento nessas e  a fim de garantir o máximo de bem-estar em nossos lares.

Esse é um assunto sério e extenso que trataremos na próxima matéria.

Um grande abraço,

Silvana Hindi

Colunista: Silvana Hindi

Designer de Interiores com mais de 20 anos de atuação no Brasil e no exterior, é fundadora da Decoração Sem Dúvida. Seu trabalho é marcado por uma abordagem mais humana e menos estética, do design de interiores.

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