É maravilhoso saber que as mulheres dos povos originários da Amazônia preservam a tradição de se reunir e compartilhar conhecimentos enquanto suas mãos vão produzindo objetos que carregam parte de sua história, cultura e identidade. Essa prática tem sido fundamental para preservar a herança cultural desses povos, além de promover a união e o fortalecimento de suas comunidades. Além disso, a valorização dessas produções pode promover uma economia mais justa e sustentável, contribuindo para  a manutenção da floresta.

Crédito: José Neto -Artesanato Yudja ou Juruna

Os artefatos indígenas apresentam  uma grande diversidade de objetos e estilos. São cestos Baniwa ricos em grafismos, tecidos pintados à mão por artesãs Kayapó, artigos em “teçume” (produzidos com palha trançada) da região da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, arte Xipaya feita com sementes e madeira, cerâmicas dos povos Tukano, adornos como brincos, pulseiras e colares confeccionados com miçangas de vidro.

As peças são elaboradas seguindo tradições ancestrais, com respeito à natureza, sem retirar da floresta mais do que ela é capaz de repor. Um entre tantos exemplos é o artesanato feito pelas mulheres Mebengokrê, que leva a marca  da pintura corporal desse povo e revela sua identidade forte e perseverante.

Crédito: José Neto -Artesanato-Kayapo

Para difundir a arte em todo o país e além-fronteiras, produtores e artesãos colaboram junto à Origens Brasil®, uma rede criada pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola -Imaflora, e o Instituto Socioambiental-ISA, administrada também pelo Imaflora . Essa rede conecta empresas, organizações comunitárias e consumidores com o objetivo de adotar modelos de negócios éticos que valorizem a floresta e suas comunidades.

O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – Imaflora – é uma associação civil sem fins lucrativos, criada em 1995, que nasceu sob a premissa de que a melhor forma de conservar as florestas tropicais é dar a elas uma destinação econômica, associada a boas práticas de manejo e a uma gestão responsável dos recursos naturais.

O Imaflora acredita que a certificação socioambiental é uma das ferramentas que respondem à parte desse desafio, com forte poder indutor do desenvolvimento local, sustentável, nos setores florestal e agrícola. Dessa forma, busca influenciar as cadeias produtivas dos produtos de origem florestal e agrícola; colaborar para a elaboração e implementação de políticas de interesse público e, finalmente, fazer, de fato, a diferença nas regiões em que atua, criando ali modelos de uso da terra e de desenvolvimento sustentável que possam ser reproduzidos em outros municípios, regiões ou biomas do País.

Crédito: Sebastien Goldberg- Amazonas – Brasil

A rede Origens Brasil®, conta com 3.330 membros, entre produtores e produtoras beneficiados diretamente. Movimenta R$16.1 milhões com relações comerciais entre 74 instituições de apoio e organizações comunitárias, além de 35 empresas, através de negócios éticos e transparente, para a apoiar conservação de 51,8 milhões de hectares de floresta feita pelos povos indígenas e pelas populações tradicionais. Atua em cinco territórios, são eles: Xingu, Norte do Pará, Rio Negro, Solimões e Tupi Guaporé, e promove um comércio ético, justo e responsável.

Crédito: Loiro Cunha – Artesanato Origens-Brasil

Mais do que serem apenas produtos com belas cores, formatos ou grafismos, a arte indígena é linguagem, é subjetividade, é comunicação que fortalece a identidade e cultura dos povos que, ao manterem a atividade viva, mantém também sua forma de vida e a floresta em pé. “Abrir mercados diferenciados e éticos que demandem e valorizem essa arte, é mais do que apenas gerar renda para os povos da floresta, é manter vivo saberes e a cultural imaterial de um povo, ao mesmo tempo que permitimos que as novas gerações possam ter contato com a origem desses produtos que carregam tantas histórias e conhecimento”, afirma Patricia Cota Gomes, gestora da rede Origens Brasil® no Imaflora.

Crédito: Junior Reis

Fazer parte da rede Origens Brasil®,  tem contribuído para que os povos se sintam reconhecidos e valorizados, e vem atraindo mais jovens para esse trabalho, reforçando entre as novas gerações a importância de passar adiante esses saberes, o potencial econômico de sua cultura e o valor desse trabalho para a sustentação da Amazônia viva.

A rastreabilidade de todo artefato indígena da rede pode ser acessada através de um QR code, o selo  Origens Brasil® -, o consumidor pode conhecer as histórias das artesãs, o território de origem do produto, sua cultura e o quanto elas contribuem para a conservação da Floresta Amazônica. Uma conexão necessária de quem compra e consome na cidade com quem produz e conserva na floresta.

Crédito: júnior Reis

A Tucum é uma das empresas que fazem parte da rede. É uma plataforma de produtos indígenas que comercializa brincos, colares, bolsas, camisas, cosméticos, cestas, esculturas, entre outros artigos feitos de fibras, sementes e miçangas.  As ações da Tucum,  procuram estimular a autonomia e a geração de renda para os povos indígenas e comunidades tradicionais, assessorando organizações indígenas para estruturação da cadeia produtiva do artesanato, o desenvolvimento dos negócios.  Atua como parceiro comercial na venda dos produtos, através de consultorias e comercialização de artesanatos indígenas no marketplace e em lojas parceiras no Brasil e no exterior. Contam com mais de 2.400 artesãs e artesãos de 86 comunidades.

Essas peças carregam história e muita resistência de povos que quase foram dizimados e continuam sendo invadidos. Sua arte é um símbolo dessa resistência, porque são conhecimentos que passaram por gerações, materializam um passado que resistiu” destaca Amanda Santana, sócia fundadora da Tucum.

Crédito: Junior Reis

Entre tantas empresas que participam da rede, a BEMGLÔ é outro exemplo. Uma plataforma colaborativa que compartilha produtos que contam a história de quem faz, com afeto, proximidade e impacto positivo. Ela vende marcas responsáveis e alinhadas com o propósito de baixo impacto ambiental e slow fashion, incluindo arte indígena.  Criada em 2014 e pioneira no formato de e-commerce, é certificada B, marcando um modelo de negócio onde o desenvolvimento social e ambiental são foco . Além de tudo, tem como uma das  sócias a atriz Gloria Pires, que  é referência quando se trata de consumo consciente.

Iniciativas como estas, Origens Brasil®, buscam fortalecer as cadeias de produção e negócios dentro de Áreas Protegidas como estratégia de manutenção da floresta em pé e geração de renda para as populações tradicionais e povos indígenas, verdadeiros guardiões do patrimônio socioambiental. Vamos participar e colaborar com estes projetos, onde realmente contribuem para um “bem maior” ? Ações solidárias tem a capacidade de mudar uma sociedade, uma atitude , o olhar e um País!

Para saber mais:  https://www.imaflora.org/https://www.origensbrasil.org.br/, https://www.tucumbrasil.com/, https://loja.bemglo.com/

Colunista Beatriz Negrão

Carreira desenvolvida na área de Comunicação, atuando em empresas no Brasil e no exterior. Publicitária, Jornalista, Pós-Graduada em Marketing pela ESPM com experiência em gestão de clientes e projetos. Como jornalista, escreveu matérias em diversas revistas do setor e proferiu palestras viajando pelo País, abordando o tema Agribussiness.

Certificados: Certificado Ministério Del Lavoro Italiano e internacional de Siena/ Itália.E – Mail: contato2@nomoremag.com